Origem da Oração

ORAÇÃO DA SERENIDADE – REVISTA VIVÊNCIA NOV/DEZ-96

Durante muitos anos, bem depois da Oração da Serenidade ter sido incorporada ao próprio contexto da vida e do pensamento da Irmandade, a sua fascinante e sedutor jogo de esconde-esconde com os pesquisadores, dentro e fora de A.A. É muito mais fácil determinar com precisão os fatos de como, há meio século, ela começou a ser utilizada por A.A. No início de 1942, escreve Bill W. em A.A. Atinge a Maioridade, um membro de Nova York, Jack, chamou a atenção de todos sobre uma nota que aparecia em um comunicado de falecimento, no jornal New York Herald Tribune, que dizia:

Senhor, concedei-nos a Serenidade para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para reconhecer a diferença.

A essência de A.A. em forma de Oração Todas as pessoas que se encontravam presentes no florescente escritório da Rua Vesey, em Manhattan, ficaram impressionadas pela força e pela sabedoria contidas no contexto daquela oração. Nunca tínhamos visto tanta essência de A.A., em tão poucas palavras, escreve Bill. Alguém sugeriu que se mandasse imprimir a oração em um pequeno cartão, do tamanho de uma cédula, para que fosse incluída em todas as cartas a serem despachadas. Ruth Hock, a primeira secretária da Irmandade (não alcoólica), entrou em contato com Henry B., um membro de Washington D.C., que era tipógrafo profissional, para perguntar-lhe quanto custaria mandar imprimir uma grande quantidade. A entusiasmada resposta de Henry foi imprimir 500 cópias da oração, com o comentário: A propósito, eu só sou ingrato quando estou bêbado... de modo que, naturalmente, não pode haver preço para algo dessa natureza.

A difusão da Oração

Com uma rapidez assombrosa, escreve Bill, a Oração da Serenidade começou a ser utilizada de uma maneira geral, e veio a ocupar o seu lugar junto às nossas outras duas favoritas, o Padre-Nosso e a Oração de São Francisco. Foi assim que o achado acidental de uma oração de autor desconhecido, impressa junto a uma nota de falecimento, abriu o caminho para o uso dessa oração por milhares e milhares de AAs do mundo inteiro. Porém, apesar dos anos de investigação por numerosos indivíduos, a origem certa da oração está envolta em sombras de histórias e até de mistério. Além disso, cada vez que um pesquisador parece ter descoberto a origem definitiva, surge outro para rebater a afirmação do primeiro, uma vez que apresenta novos fatos intrigantes. O que está fora de dúvida é o fato da reinvidicação de autoria feita pelo teólogo Dr.Rheinghold Nieburh, que por várias oportunidades relatou a entrevistadores, ter escrito a oração como retoque final de um sermão sobre
Cristandade Prática, que ele havia pronunciado. Porém, até o próprio Dr. Nieburh deixou entrever ao menos uma certa dúvida à sua afirmação, ao dizer a um entrevistador: Certamente ela deve ter, por muitos anos, até séculos, aparecido aqui e acolá, mas não o creio. Acredito que eu mesmo a escrevi.

Autoria indefinida

No começo da Segunda Guerra Mundial, com autorização do Dr. Nieburh, a oração foi impressa em cartões que foram distribuídos entre as tropas. Para aquela ocasião, foi também reimpressa pelo Conselho Nacional de Igrejas, bem como, por Alcoólicos Anônimos. O Dr. Nieburh tinha razão ao sugerir que a oração poderia, por séculos, ter aparecido aqui e acolá. Ninguém pode dizer com segurança quem foi o primeiro a escrever a Oração da Serenidade, escreve Bill em A.A. Atinge a Maioridade. Alguns dizem que ela é oriunda dos antigos gregos; outros, que saiu da pena de um poeta inglês anônimo; ainda outros afirmam que foi escrita por um oficial da Marinha americana... ou textos em sânscrito, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, e Espinosa. Recentemente, um membro da Irmandade encontrou no livro do filósofo romano Cícero, Seis erros do homem, um, que diz: A tendência de se preocupar por coisas que não podem ser modificadas ou corrigidas .

Na verdade, ninguém achou o texto da oração entre os escritos dessas supostas fontes originais. Muito antigos, como a citação acima, de Cícero, provavelmente são os temas de aceitação, de coragem para modificar o que pode ser modificado e a disposição para desprender-nos do que está fora da nossa capacidade de modificar. A busca para se determinar, com precisão, as origens da oração, tem sido frustrante, porém fascinante, para não dizer mais. Por exemplo, em julho de 1964, The Grapevine recebeu um recorte de um artigo que foi publicado no Herald Tribune de Paris, assinado pelo correspondente do jornal, em Koblenz, na então Alemanha Ocidental. Assim escreve o correspondente: Em um lúgrube salão de um antigo hotel, com vistas para o Reno, em Koblenz, há uma placa inscrita com as seguintes palavras: Deus, concedei-me o desprendimento para aceitar as coisas que não posso alterar; a coragem para alterar aquelas coisas que posso; e a sabedoria para distinguir uma coisa da
outra .

Estas palavras são atribuídas, escreveu o correspondente, a um pietista (luterano radical) do século dezoito, Friedich Oetinger (1702-1781). Além disso, a placa estava colocada na parede de uma sala, na qual as tropas e os comandantes das companhias do novo exército alemão eram treinados sobre os princípios de normas e procedimentos do soldado cidadão de um estado democrático.

Evidências concretas

Finalmente, a esta altura dos acontecimentos, concluíram os investigadores de A.A., havia uma evidência concreta - texto, autor, - data da origem da Oração da Serenidade. Essa convicção ficou sem ser contestada durante quinze anos. Depois disso, no ano de 1979, apareceram alguns dados, compartilhados com Beth K. da G.S.O., trazidos à tona por Peter T., de Berlim. A investigação de Peter, pôs por terra a autenticidade da paternidade literária do século XVIII, e ainda acrescentou alguns fatos intrigantes acerca da origem da placa.

A primeira forma da oração, escreveu Beth, teve sua origem em Boecio, filósofo romano (480-524), autor do livro Os consolos da filosofia. A partir de então, as idéias da oração foram utilizadas pela gente religiosa, que por suas crenças tiveram que sofrer, primeiro, sob o domínio dos ingleses, logo, dos puritanos da Prússia... em seguida pelos pietistas do sudoeste da Alemanha... depois, pelos AAs... e pelos alemães ocidentais após a segunda guerra mundial.

Além do mais, continuou Beth, depois da guerra, um professor da universidade do norte da Alemanha, Dr. Theodor Wilhelm, que dera início a um renascimento da vida espiritual na Alemanha Ocidental, aprendeu a pequena oração através de alguns soldados canadenses. Ele havia escrito um livro, no qual incluíra a oração, sem citar o seu autor. No entanto, teve como resultado o aparecimento da oração em muitos lugares diferentes, tais como, salas de oficiais do exército, escolas, e outras instituições. Qual era o nome literário do escritor? Friedich Oetinger, o pietista do século dezoito. Tudo leva a crer que Wilhelm adotara o pseudônimo de Oetinger, por admiração a seus antepassados do sul da Alemanha.

A Oração do General

Logo depois disso, em 1957, um membro do departamento pessoal da G.S.O., Anita P., folheando alguns livros em uma livraria de Nova York, deparou-se com um cartão cuidadosamente adornado, no qual estava impresso: Deus, Todo Poderoso, Nosso Pai Celestial, concedei-nos a Serenidade para aceitar o que não pode ser modificado, a Coragem para modificar o que deve ser modificado, e a Sabedoria para distinguir uma coisa da outra; por Jesus Cristo, nosso Senhor.

O cartão, que era procedente de uma livraria da Inglaterra, tinha como título A Oração do General, e a data remontava ao século XIV.

Constam, ainda, outras reinvidicações que, sem dúvida, continuarão com as descobertas em anos vindouros. De qualquer maneira, a Senhora Reinhold Nieburh disse, mais recentemente a um entrevistador, que seu marido era, sem sombra de dúvida, o autor da oração, pois ela havia visto a folha de papel em que ele escrevera, e que seu marido - uma vez existiam numerosas variações do texto - usava e preferia a seguinte forma: Deus, concedei-nos a graça de aceitar com serenidade as coisas que não podem ser modificadas, a coragem para modificar as coisas que devem ser modificadas, e a sabedoria para distinguir umas das outras.

Uma parte de A.A.

Mesmo que essas pesquisas sejam fascinantes, estimulantes, e até misteriosas, carecem de importância perante o fato de que, durante cinquenta anos, a oração chegou a ficar tão extremamente incrustada no coração, na alma do pensamento e da vida de A.A., bem como em sua filosofia, que quase se poderia crer que a oração teve sua origem na própria experiência de A.A.

Bill fez essa mesma afirmação anos atrás, ao agradecer a um amigo AA pela placa que trazia os dizeres: Na criação de A.A., a Oração da Serenidade tem sido um bloco de sustentação muito valioso realmente, uma pedra angular. (Vivência - Nov/Dez 96)

Ricardo Mariotto Ferreira escreveu:
**
*Essa oração foi retirada deOs Doze Passos para Cristãos*
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*Oração da Serenidade*

* *

Concedei nos, Senhor. A Serenidade necessária

para aceitar as coisas as coisas que não podemos modificar;

Coragem para modificar aquelas que podemos,

E Sabedoria para distinguir umas das outras.

Vivendo um dia de cada vez,

Apreciando um momento de cada vez;

Aceitando os revezes como caminho para a paz;

Percebendo, como Ele fez,

Este mundo perverso como ele é,

Não como eu gostaria que fosse;

Confiando que endireitarás as coisas,

Se eu me entregar à tua vontade;

Para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida

E supremamente feliz contigo

Para sempre, na outra. Amém

*Reinhold Niebuhr *


 


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